Carb loading na corrida: como fazer antes da meia maratona e da maratona

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Carb loading

Você sabe como fazer carb loading antes de uma meia maratona ou maratona? A estratégia é conhecida entre corredores, mas ainda gera muita confusão. Muita gente acha que basta comer um prato enorme de macarrão na véspera, enquanto outros exageram tanto na comida que chegam à largada pesados, estufados ou com desconforto intestinal.

O carb loading na corrida é uma estratégia nutricional usada para aumentar os estoques de glicogênio, que é a forma como o corpo armazena carboidrato nos músculos e no fígado. Em provas longas, essa reserva ajuda a sustentar o ritmo por mais tempo e pode reduzir o risco de queda forte de energia na parte final. Por isso, o tema é especialmente importante para maratona e para meias maratonas mais longas.

A pesquisadora australiana Louise Burke, uma das maiores referências mundiais em nutrição esportiva, resume a lógica da estratégia ao afirmar que "o glicogênio muscular é um combustível-chave para treinar e correr uma maratona”. A mesma revisão explica que o carregamento de carboidratos pode ajudar o maratonista a sustentar o ritmo ideal por mais tempo antes da fadiga. 

O que é carb loading na corrida?

Carb loading significa aumentar a ingestão de carboidratos nos dias anteriores a uma prova longa, ao mesmo tempo em que o volume de treino é reduzido. O objetivo é chegar à largada com mais glicogênio disponível, sem carregar o desgaste dos treinos mais pesados. Na prática, ele funciona melhor quando é combinado com o polimento, fase em que o corredor reduz a carga antes da prova.

Isso não significa comer qualquer coisa sem critério. O corredor aumenta a presença de alimentos ricos em carboidrato e reduz um pouco a participação de comidas muito gordurosas, muito fibrosas ou difíceis de digerir. Arroz, massa, batata, pão, tapioca, frutas, sucos, panquecas, geleia, mel, cereais e bebidas com carboidrato podem entrar na estratégia, desde que já sejam bem tolerados.

O ponto mais importante é entender que carb loading não é uma única refeição. Para maratona, normalmente envolve as últimas 36 a 48 horas antes da prova. Para meia maratona, pode ser uma estratégia mais leve, ajustada ao tempo previsto de corrida e ao histórico do atleta.

Quando o carb loading realmente faz sentido?

O carb loading faz mais sentido quando a prova passa de 90 minutos. Em corridas curtas, como 5 km e 10 km, a maioria dos corredores não precisa de uma estratégia agressiva, porque os estoques normais de glicogênio costumam ser suficientes para sustentar o esforço. Já em provas longas, a disponibilidade de carboidrato começa a pesar muito mais.

Uma revisão clássica de Hawley e colaboradores sobre carb loading e desempenho mostrou que aumentar o glicogênio muscular acima dos níveis normais não oferece benefício relevante para esforços de 60 a 90 minutos. Isso ajuda a explicar por que a estratégia é mais importante para maratona e provas longas do que para corridas mais curtas.

Na meia maratona, a resposta depende do tempo total de prova. Um corredor que completa a distância em 1h20 tem uma demanda diferente de alguém que corre em 2h15. Para quem deve passar mais tempo no percurso, aumentar carboidratos na véspera e ajustar bem o café da manhã pode fazer diferença nos quilômetros finais.

Quanto carboidrato consumir antes da maratona?

Carb loading

Para maratonistas bem treinados, uma estratégia clássica citada na literatura é consumir de 10 a 12 g de carboidrato por quilo de peso corporal por dia nas 36 a 48 horas anteriores à prova, junto com a redução do treino. Esse protocolo busca maximizar os estoques de glicogênio antes da largada.

Na prática, esse número pode ser alto para muitos corredores amadores. Um atleta de 70 kg, por exemplo, chegaria a algo entre 700 g e 840 g de carboidrato por dia nessa estratégia mais agressiva. Por isso, uma faixa mais moderada, como 6 a 10 g/kg/dia, costuma ser mais realista para quem ainda está aprendendo a organizar a alimentação antes de provas longas.

Uma revisão sobre nutrição para atletas de endurance apresenta faixas de carboidrato que variam conforme a duração e a demanda do exercício, com 6 a 10 g/kg/dia para treinos de 1 a 3 horas e 8 a 12 g/kg/dia para demandas ainda maiores. O mesmo artigo cita 10 a 12 g/kg/dia como referência pré-exercício para eventos acima de 90 minutos.

Como fazer carb loading para meia maratona?

Na meia maratona, o carb loading deve ser mais proporcional. Para quem corre abaixo de 1h30, geralmente não há necessidade de um carregamento tão agressivo. Uma alimentação bem organizada no dia anterior, com mais carboidratos e menos alimentos pesados, costuma ser suficiente para muitos corredores.

Para quem deve correr acima de 1h45 ou 2 horas, a estratégia merece mais atenção. Nesse caso, faz sentido aumentar carboidratos nas 24 a 36 horas anteriores, priorizando refeições conhecidas e fáceis de digerir. A ideia é chegar à largada abastecido, mas sem sensação de estômago cheio ou intestino desregulado.

Um modelo simples para a véspera da meia pode incluir arroz ou massa no almoço, pão ou tapioca no lanche, batata ou macarrão no jantar e frutas mais fáceis de digerir ao longo do dia. O corredor pode reduzir saladas muito volumosas, feijão em excesso, frituras e alimentos que já sabe que causam gases ou desconforto.

Como fazer carb loading para maratona?

Na maratona, o carb loading precisa ser mais planejado porque a prova é longa o suficiente para esgotar boa parte dos estoques de glicogênio. A estratégia costuma começar 48 horas antes da largada, junto com a redução natural do treino. O corredor não deve esperar a noite anterior para tentar compensar tudo em uma única refeição.

Dois dias antes da prova, o foco já deve ser aumentar carboidratos ao longo do dia. Isso pode aparecer no café da manhã, almoço, lanches e jantar. Em vez de comer um prato absurdo à noite, o corredor distribui melhor a ingestão para facilitar a digestão e evitar desconforto.

Na véspera, o plano deve ser ainda mais simples. Comidas conhecidas, pouca gordura, pouca fibra e nada de invenção. A maratona não combina com testar restaurante novo, molho diferente, comida muito apimentada ou alimento que o corredor nunca usou antes de longões.

Exemplos práticos de alimentos para carb loading

O melhor alimento para carb loading é aquele que entrega carboidrato e já funciona bem para o corredor. Não existe obrigação de usar apenas macarrão. Arroz, batata, mandioca, pão, tapioca, aveia, panqueca, cuscuz, frutas, sucos, geleias e bebidas esportivas podem ser úteis dependendo da rotina.

Algumas boas opções são:

  • Arroz branco ou massa simples
  • Batata, mandioquinha ou mandioca
  • Pão, tapioca, cuscuz ou panqueca
  • Banana, maçã sem casca, melão ou frutas mais toleradas
  • Suco de fruta, bebida esportiva ou água de coco
  • Geleia, mel ou creme de arroz
  • Cereal matinal simples ou mingau com pouca gordura

Na reta final antes da prova, muitos corredores toleram melhor carboidratos mais simples e com menos fibra. Isso não significa que fibras sejam ruins na alimentação do atleta, mas que a véspera de uma maratona talvez não seja o melhor momento para exagerar em saladas cruas, grãos integrais, leguminosas e grandes volumes de vegetais.

O que evitar durante o carb loading?

O principal erro é confundir carb loading com comer muito de tudo. A estratégia é aumentar carboidratos, não exagerar em gordura, proteína, fritura e sobremesas pesadas. Uma refeição cheia de queijo, molho gorduroso, carne pesada e massa pode ter carboidrato, mas também pode atrapalhar a digestão.

Outro erro comum é aumentar muito a fibra. Feijão, lentilha, brócolis, repolho, couve-flor, alimentos integrais em excesso e grandes saladas podem causar gases ou urgência intestinal em alguns corredores. Quem já tem intestino sensível deve ser ainda mais conservador.

Também vale evitar álcool, alimentos muito salgados em excesso, comida apimentada e qualquer novidade. A última semana antes da prova deve ser previsível. O corredor precisa repetir o que já foi testado em longões ou em treinos importantes.

Carb loading engorda?

É comum o corredor subir um pouco de peso durante o carb loading. Isso não significa ganho de gordura. Quando o corpo armazena mais glicogênio, também retém água junto. Portanto, sentir-se um pouco mais cheio ou ver o peso subir na balança pode ser parte normal do processo.

O problema é quando o corredor interpreta isso como algo negativo e corta carboidrato justamente antes da prova. Em meia maratona e maratona, chegar com baixa disponibilidade de energia pode custar caro. O objetivo nesses dias não é ficar mais leve a qualquer preço, mas chegar abastecido e confortável.

A melhor referência não é a balança, e sim a sensação geral. O corredor deve se sentir alimentado, hidratado, sem fome exagerada e sem estufamento importante. Se a estratégia causa desconforto, provavelmente precisa ser ajustada antes da próxima prova.

Carb loading não substitui gel e hidratação

Carb loading

Mesmo com bom carb loading, a maratona continua exigindo estratégia durante a prova. O carregamento de carboidratos ajuda a largar com estoques mais cheios, mas não impede que eles sejam consumidos ao longo dos quilômetros. Por isso, gel, bebida esportiva e hidratação seguem importantes.

A ingestão de carboidrato durante o exercício é outro ponto bem estabelecido na nutrição de endurance. Asker Jeukendrup, uma das principais referências mundiais em nutrição para endurance, explica que as recomendações variam conforme a duração do esforço, com faixas como 30 a 60 g/h em exercícios prolongados e valores maiores em eventos mais longos, quando há tolerância intestinal. 

Na prática, a maratona pede um plano completo: carb loading antes, café da manhã conhecido, gel ou bebida esportiva durante e hidratação ajustada ao clima. Uma parte não substitui a outra. O corredor que faz um bom carregamento, mas não se abastece durante a prova, ainda pode quebrar no fim.

Como testar a estratégia antes da prova?

O carb loading também precisa ser treinado. O corredor pode testar uma versão reduzida antes de longões importantes, principalmente aqueles acima de 25 km ou com blocos em ritmo de prova. Isso ajuda a descobrir quais alimentos funcionam, quais causam desconforto e quanto carboidrato consegue comer sem se sentir pesado.

Esse teste não precisa reproduzir perfeitamente a maratona, mas deve simular a lógica. Aumentar carboidratos no dia anterior, jantar uma refeição parecida, acordar no horário planejado, tomar o café da manhã da prova e correr usando a mesma estratégia de gel. Quanto menos surpresa, melhor.

Esse ensaio também ajuda a ajustar detalhes. Talvez o corredor descubra que arroz funciona melhor que macarrão, que suco ajuda a bater a meta de carboidrato, que muita aveia pesa no estômago ou que jantar tarde demais atrapalha o sono. Essas respostas aparecem no treino, não na teoria.

Erros comuns no carb loading

A maior parte dos erros acontece por excesso ou improviso. O corredor deixa para pensar na alimentação apenas na véspera, copia o prato de outro atleta ou tenta seguir números altos sem adaptação. O resultado pode ser estufamento, enjoo, diarreia, sensação de peso ou largada sem energia suficiente.

Os erros mais comuns são:

  • Começar apenas no jantar da véspera
  • Comer muita gordura junto com o carboidrato
  • Exagerar em fibras nos últimos dias
  • Testar alimentos novos na semana da prova
  • Beber pouca água durante o aumento de carboidrato
  • Ignorar o café da manhã da prova
  • Fazer carb loading agressivo para provas curtas sem necessidade

O carb loading deve deixar o corredor mais preparado, não mais ansioso. Se a estratégia ficou complicada demais, provavelmente precisa ser simplificada. Para a maioria dos amadores, o básico bem feito já resolve boa parte do problema.

Conclusão: carb loading na corrida é estratégia, não exagero

O carb loading na corrida pode ajudar muito em provas longas, especialmente na maratona e em meias maratonas de maior duração. A estratégia aumenta a disponibilidade de carboidrato antes da largada e pode ajudar o corredor a sustentar melhor o ritmo, desde que seja feita com planejamento e junto da redução do treino.

A melhor abordagem é ajustar a quantidade ao tempo de prova, ao peso corporal, ao histórico digestivo e ao nível de experiência. Maratonistas podem precisar de uma estratégia mais robusta, enquanto muitos corredores de meia maratona se beneficiam de um aumento mais simples de carboidratos na véspera. Em todos os casos, nada deve ser testado pela primeira vez no dia da prova.

Para correr melhor, combine carb loading com hidratação, café da manhã conhecido, uso treinado de gel de carboidrato e ritmo controlado nos primeiros quilômetros. A nutrição não substitui o treino, mas pode impedir que uma boa preparação seja desperdiçada por falta de energia na hora mais importante.

Perguntas frequentes sobre carb loading na corrida

1. O que é carb loading?

É uma estratégia de aumento da ingestão de carboidratos antes de provas longas para elevar os estoques de glicogênio muscular e hepático.

2. Quando começar o carb loading para maratona?

Geralmente entre 36 e 48 horas antes da prova, junto com a redução do volume de treino.

3. Preciso fazer carb loading para meia maratona?

Depende do tempo de prova. Para meias acima de 1h45 ou 2 horas, a estratégia tende a ser mais útil.

4. Carb loading é comer macarrão na véspera?

Não. Macarrão pode entrar, mas carb loading é uma estratégia distribuída ao longo do dia ou dos dias anteriores.

5. O que evitar no carb loading?

Evite alimentos novos, muita gordura, excesso de fibras, álcool, frituras e refeições muito pesadas perto da prova.

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