
Para quem vai encarar uma maratona ainda neste ano, surge quase sempre a mesma dúvida no meio do ciclo de treinos: vale a pena correr uma meia maratona durante a preparação? E, se sim, qual é o momento certo para fazer isso sem comprometer o objetivo principal?
A meia maratona pode ser uma ferramenta extremamente valiosa dentro do ciclo de uma maratona, desde que seja bem posicionada no calendário e encarada com a estratégia correta. Quando mal planejada, porém, ela pode virar apenas mais uma fonte de fadiga desnecessária.
Por que correr uma meia maratona antes da maratona?
A principal função da meia maratona dentro de um ciclo de maratona não é buscar recorde pessoal, mas avaliar o estágio real da preparação. É nesse teste que o corredor consegue observar como o corpo responde a um esforço prolongado, em ritmo sustentado, em ambiente de prova.
A meia permite testar, em condições muito próximas das reais, pontos decisivos para os 42 km: estratégia de hidratação, ingestão de carboidrato, escolha do tênis, resposta muscular e até controle emocional em largada cheia e ritmo coletivo. Tudo isso gera informações preciosas para ajustes finos no ciclo final.
Além disso, uma boa meia bem executada costuma fortalecer a confiança. O corredor passa a enxergar o objetivo maior com mais clareza, sabendo onde está forte e onde ainda precisa corrigir rota.
A meia maratona como teste real de forma
Quando a intenção é usar a meia como avaliação forte de desempenho, com ritmo alto e esforço próximo do máximo, o período mais seguro costuma ser entre 6 e 8 semanas antes da maratona. Esse intervalo permite que o corredor colha informações importantes sem carregar o desgaste para a fase decisiva do ciclo.
Nesse cenário, a meia funciona como um exame completo. Ela mostra se o ritmo pretendido para a maratona é realista, como o corpo responde ao esforço contínuo e quais ajustes ainda precisam ser feitos no treinamento. Também é um bom momento para testar nutrição, hidratação e estratégia de prova, com tempo suficiente para corrigir erros.
Para quem vai correr a primeira maratona ou para atletas que demoram mais a recuperar, essa abordagem costuma ser a mais inteligente. O corredor sai da meia com dados concretos, não com a obrigação de manter aquele nível de esforço até o dia da prova principal.
A meia como treino específico e controlado
Existe também outro uso legítimo da meia maratona: como treino-chave em ambiente de prova. Nesse caso, ela pode ser encaixada entre 3 e 4 semanas antes da maratona, desde que seja feita de forma controlada.
Aqui, o objetivo não é recorde pessoal. O foco está em correr próximo do ritmo de maratona ou levemente acima, treinando constância, alimentação em movimento e controle emocional. É uma simulação avançada, não uma competição máxima.
Esse modelo costuma funcionar melhor para corredores experientes, com histórico de boa recuperação e que já conhecem bem seus limites. Mesmo assim, exige cuidado: exagerar na intensidade nesse ponto do ciclo pode comprometer o polimento final.
Dá para correr mais de uma prova antes da maratona?
É possível, sim, participar de outras provas ao longo do ciclo, como 10 km ou 15 km, desde que elas estejam bem distribuídas e não comprometam a recuperação. O excesso de competições pode gerar fadiga acumulada e roubar energia do que realmente importa.
A meia como aliada, não como armadilha
Quando bem planejada, a meia maratona é uma aliada poderosa na preparação para os 42 km. Ela ajuda a validar o treino feito até ali, aponta ajustes necessários e fortalece a confiança para a fase decisiva do ciclo.
O segredo está no timing, na estratégia e, principalmente, em não perder de vista o objetivo maior. A maratona não se vence na meia, mas pode ser muito bem preparada a partir dela.